PREVALÊNCIA E FATORES DE INSUCESSO DO ALEITAMENTO MATERNO EM PORTUGAL

O QUE PRETENDE ESTE ESTUDO?

Este estudo pretende contribuir para um maior conhecimento acerca da realidade atual do aleitamento materno (AM) em Portugal, tendo como objetivos principais:

  1. Determinar a prevalência do AM na população de lactentes nascidos em Portugal, atualizando os dados existentes provenientes do Inquérito Nacional de Saúde de 1998/99; e
  2. Identificar fatores associados à iniciação, duração e exclusividade do AM em Portugal.

Para a obtenção destes dados, implementou-se um estudo observacional, longitudinal, de amostragem nacional, com recurso a recolha de dados por entrevista telefónica aos 3 e 6 meses pós-parto.

PORQUÊ REALIZAR ESTE ESTUDO?

O leite materno representa o melhor alimento para a criança nos primeiros meses de vida uma vez que respeita as suas necessidades metabólicas, contém agentes ativos contra as infeções e os bebés que são amamentados apresentam um risco menor de sofrerem da síndrome de morte súbita do latente (1). Existem também benefícios reconhecidos para a saúde materna, como a recuperação mais rápida do peso pré-gravidez, a diminuição da incidência do cancro da mama e do ovário, um menor risco de osteoporose na pós-menopausa e amenorreia da lactação (2). Desta forma, a promoção e o acompanhamento do Aleitamento Materno (AM) constitui uma prioridade de saúde pública uma vez que traz benefícios a curto, médio e longo prazo para os recém-nascidos e para as mães (3).

Os dados epidemiológicos relativos à prevalência do AM em Portugal são escassos e dispersos. A maioria dos estudos portugueses são locais, apresentando dados sobre uma determinada região ou hospital (1–5). Os dados de âmbito nacional existentes provêm dos Inquéritos Nacionais de Saúde, tendo sido publicado em 2003 o último relatório “Uma Observação Sobre Aleitamento Materno”, que apresenta as taxas de prevalência do AM nos anos de 95/96 e 98/99 (6).

ALGUNS RESULTADOS JÁ OBTIDOS…

Apesar de uma elevada taxa de iniciação de AM, apenas 33,2% das mães amamentava em exclusividade aos 3M, uma percentagem abaixo da meta de 50% definida pelo Plano Nacional de Saúde de 2004-2010.
Este estudo permitiu ainda identificar vários fatores de sucesso do AM, incluindo aspetos associados ao papel dos profissionais de saúde, que poderão informar e capacitar as mães de forma a aumentar o nível de confiança das mães que se encontram a amamentar.

APRESENTAÇÕES JÁ EFETUADAS:

PUBLICAÇÕES EM ELABORAÇÃO:

Neste momento estão a ser elaborados os seguintes artigos científicos para publicação em revistas com revisão por pares:

  • A importância dos Cuidados de Saúde Primários na promoção e manutenção do Aleitamento Materno em Portugal – um enfoque no papel do Médico de Família
  • Prevalence and predictors of breastfeeding initiation and duration among Portuguese women – the Brest Study
  • Evaluating regional differences in breastfeeding rates in Portugal

No âmbito do Mestrado Integrado em Medicina:

  • Factors of Successful Breastfeeding in Portugal: the impact of maternal knowledge
  • Factors of Successful Breastfeeding in Portugal: Exploring the Effect of Maternity-Care Practices

No âmbito do Mestrado em Epidemiologia:

  • Relutância em amamentar: motivos indicados pelas mães que descontinuaram o aleitamento.
Este estudo é financiado pela Direcção-Geral da Saúde, ganhou a Bolsa Geofar de Investigação da Sociedade Portuguesa de Pediatria (2009), e conta com o apoio da Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés / UNICEF e ainda a colaboração do Centro de Genética Médica Dr. Jacinto Magalhães, no processo aleatório de amostragem e no contacto prévio com todas as mães selecionadas para participar para cedência dos dados de contacto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. Sandes AR, Nascimento C, Figueira J, Gouveia R, Valente S, Martins S, et al. ALEITAMENTO MATERNO Prevalência e Factores Condicionantes. Acta Medica Portuguesa. 2007;20:193–200.
  2. Caldeira T, Moreira P, Pinto E. Aleitamento materno: estudo dos factores relacionados com o seu abandono. Revista Portuguesa de Clínica Geral. 2007;23:685–99.
  3. Brito H, Alexandrino AM, Godinho C, Santos G. Experiência do aleitamento materno. Acta Pediátrica Portuguesa. 2011;42(5):209–14.
  4. Graça L, Figueiredo M do C, Conceição MT. Contributos da intervenção de enfermagem de cuidados de saúde primários para a promoção do aleitamento materno. Revista Latino-Americana de Enfermagem. 2011;19(2):1–9.
  5. Sarafana S, Abecasis F, Tavares A, Soares I, Gomes A. Aleitamento Materno : evolução na última década. Acta Pediátrica Portuguesa. 2006;1(37):9–14.
  6. Branco MJ, Nunes B. Uma Observação sobre Aleitamento Materno - Relatório. 2003.
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